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13 de abril de 2020 Ultima atualização: 14 de abril de 2020

Rentabilidade da Vérios no Primeiro Trimestre de 2020

O primeiro trimestre de 2020 foi desafiador para todos. Veja como a Vérios se saiu.

13 de abril de 2020

“A diversificação é o último almoço grátis disponível”
— Harry Markowitz, Prêmio Nobel de Economia

O primeiro trimestre de 2020 dispensa grandes explicações de cenário. Pela primeira vez, parece que literalmente todo o mundo sabe qual foi o principal fator a determinar o comportamento do mercado financeiro. Desde fevereiro, os mercados (e os noticiários) do mundo inteiro foram atropelados pela pandemia do novo coronavírus, o Covid-19.

Conforme as informações foram aparecendo, fomos transmitindo aos clientes os acontecimentos do mercado e a nossa visão dos fatos, em artigos e comunicados ao longo dos meses. Nesses conteúdos, aproveitamos para sempre passar a nossa recomendação e informar como as carteiras inteligentes estavam sendo impactadas.

Você provavelmente está lendo esse artigo dentro da sua casa (mesmo que seja durante o trabalho) e já sabe disso: o trimestre fechou, mas a crise causada pelo novo vírus ainda não acabou. Estamos sob seus efeitos e as próximas semanas prometem ter desdobramentos importantes.

Ainda estamos sob os efeitos da crise causada pelo novo coronavírus e as próximas semanas prometem desdobramentos importantes

Essa é uma crise única, mas a verdade é que as crises são sempre únicas. A crise de 2008 ocorreu em grande parte por conta da alavancagem do sistema imobiliário americano e muitos profetizaram que ela iria (ou ainda irá?) se repetir. A crise de 1929 estava mais relacionada à grande alavancagem dos bancos e operadores de mercado. A crise dos anos 1970, ligada ao choque do petróleo e das taxas de juros. E também a crise dos últimos anos no Brasil, com escalada da dívida pública, recessão e desemprego.

Elas são famosas por sua singularidade e por quase sempre começar de forma “inesperada”. A crise que estamos vivendo começou no âmbito da saúde pública na China, mas subitamente tornou-se uma quarentena global que deve causar uma desaceleração econômica de proporções ainda desconhecidas.

Sob uma ótica mais otimista, a História nos mostra que diante das principais crises econômicas, a Humanidade sai fortalecida com avanços tecnológicos importantes e experimenta grandes períodos de crescimento econômico subsequentes. Será que dessa vez será igual?

Na semana passada, Luis Stuhlberger, gestor do antigo e famoso fundo Verde, disse em entrevista que “Quando estamos no meio de uma crise parece que ela nunca vai terminar, todas que eu vivenciei foram assim… Mas em algum momento alguma solução vai surgir e quando isso acontecer os preços voltarão”. Foi assim em diversas situações e acontecimentos da História. Por mais que essa crise seja única, uma certeza é que em algum momento chegaremos ao outro lado do túnel.

Rentabilidade até Março/2020

As carteiras inteligentes da Vérios apresentaram performance negativa no primeiro trimestre de 2020. Desde o início das carteiras inteligentes, em meados de 2016, nunca havíamos passado por um período de tanta volatilidade. Mesmo quando consideramos nossos backtests (simulações para períodos passados), que atualmente cobrem mais de 10 anos, a intensidade da queda atual é superior a tudo que havia antes.

Por natureza e filosofia da casa, nossas carteiras são conservadoras. A maior parte do patrimônio de nossos clientes está alocada em títulos públicos federais via Tesouro Direto, diversificados em três tipos de renda fixa (pós-fixados, prefixados e corrigidos pela inflação) e também em diferentes prazos de vencimento.

Cada cliente enxerga claramente, no sistema de acompanhamento de sua carteira, qual parte do seu dinheiro está investida em bolsa de valores, seja na brasileira, seja nas bolsas americanas. 

Nos últimos anos, presenciamos uma onda de incentivo à tomada de risco, baseada principalmente no alarde exagerado sobre a queda da Taxa Selic. Mesmo assim, seguimos fiéis à nossa metodologia de alocação, ajustando marginalmente as proporções de cada classe de ativos nas carteiras.

No gráfico abaixo, podemos ver a rentabilidade das medianas de nossas carteiras (rentabilidade líquida, ou seja, já descontada a taxa de administração total, de 0,95% ao ano). Apesar da crise, as carteiras que possuem apenas renda fixa apresentam resultado muito positivo, enquanto as carteiras com diversificação em renda variável sofreram com as oscilações recentes. Mesmo assim, o resultado acumulado em 12 meses nessas carteiras mais agressivas ainda é positivo e está próximo ao CDI do período.

No ano de 2019 como um todo, as carteiras inteligentes apresentaram rentabilidades excelentes. Com isso, as quedas de 2020 não foram suficientes para virar a janela de 12 meses para o negativo. Reforçando nossa priorização da preservação de capital, diversificação, controle de risco e visão de longo prazo.

 

Vérios: Rentabilidade Líquida 12 meses até 03/2020

 

Vale destacar que as medianas de nossas carteiras também estão acima do IHFA (índice de hedge funds da ANBIMA), indicador que representa a performance média dos principais fundos multimercados do Brasil, exibido no gráfico acima.

Contudo, mesmo com parcela de renda variável nas carteiras não sendo majoritária, foi ela a responsável pelo resultado negativo do trimestre. Especialmente a parcela de bolsa brasileira. Veja como essa crise de dimensão global quebrou o padrão de comportamento dos últimos 12 meses. 

 

Rentabilidade 12 meses em meio à crise do coronavírus

 

A queda foi brusca. E, mesmo no olho do furacão, quem está nas carteiras há mais de 12 meses está com resultado positivo. É por isso que reforçamos tantas vezes que a diversificação e a renda variável só devem ser utilizadas  nos seus investimento de longo prazo. 

No mercado financeiro, antes de qualquer coisa, o mais importante é sobreviver. A alavancagem e as quedas muito abruptas podem ser fatais para o investidor, se o susto causar o resgate no pior momento de mercado, forçando a venda de ativos depreciados. Mas quem segurar verá os preços se recuperarem, como prevê Stuhlberger.

E mesmo, assim, algumas pessoas podem precisar do dinheiro por algum motivo pessoal durante a crise. Por isso, na Vérios, usamos apenas ativos líquidos e de baixo custo, que julgamos ser a melhor escolha para navegar no mar de incertezas que são o mercado financeiro e o comportamento humano.

Rentabilidade do primeiro trimestre de 2020

Sabemos que três meses é um período muito curto para avaliar qualquer investimento de longo prazo. Ainda assim, apenas para entender melhor o que aconteceu, vamos ver como foram os resultados do primeiro trimestre do ano, isoladamente:

 

Vérios: Rentabilidade Líquida Jan-Mar/2020

 

A fotografia do trimestre demonstra o tamanho da desvalorização ocorrida. As carteiras que possuem apenas títulos públicos de renda fixa também sofreram perdas, mas em grau muito menor. Os títulos com vencimentos mais longos (maior duration) foram os que apresentaram maior desvalorização, como é esperado.

Porém, a perda em Tesouro Direto é absolutamente passageira, pois são ativos de renda fixa com preço garantido no vencimento. Essa recuperação é uma certeza, garantida pelo Tesouro Nacional.

A perda em Tesouro Direto é absolutamente passageira, pois são ativos de renda fixa com preço garantido para quem segurar até o vencimento

A queda em bolsa de valores é típica de momentos de incerteza. Nesse caso, não há garantia de recuperação. A renda variável tem esse nome justamente porque… varia. No longo prazo, a tendência é que o mercado se recupere e essa classe de ativos volte a ser a mais rentável como vinha sendo até recentemente.

Bolsa de Valores versus Bolsa de Valores

Nas carteiras inteligentes, a bolsa brasileira foi a que mais se desvalorizou. A bolsa americana também foi impactada, mas o ETF que utilizamos (IVVB11) tem dois componentes de preço: o índice S&P 500, das bolsas americanas, e também a cotação do dólar perante o real.

Como o dólar subiu muito nessa crise, a queda de valor na classe “Bolsa EUA” das carteiras inteligentes foi menor e a recuperação foi mais rápida. A variação do S&P 500 no trimestre foi de -20%, a variação do dólar contra o real foi de +28,9% e o IVVB11, nosso ETF de Bolsa EUA variou +4,2%.

Como utilizamos um ETF que combina bolsa americana com a variação do dólar, a rentabilidade da classe ‘Bolsa EUA’ ficou positiva nas carteiras inteligentes neste trimestre tumultuado

A posição em S&P 500 reflete a variação das maiores empresas do mundo, gigantes como Facebook (que possui USD 50 bi em caixa) e Google (com mais de USD 100 bi em caixa) estão no ETF de bolsa americana. São empresas sólidas e lucrativas, que vão superar a crise sem dificuldade. 

O mesmo ocorre para a bolsa brasileira, que possui grande peso de empresas do calibre de Petrobras, Vale, Itaú e Bradesco, algumas das maiores da nossa economia.

Vale lembrar que na Vérios não tomamos nenhum risco direcional, ou seja, não estamos expondo a carteira de nossos clientes a uma aposta específica de alta ou de baixa. Também não praticamos stock picking ou market timing

O que esperar da Vérios

Durante os dias de alta volatilidade do mercado, enviamos para nossos clientes um mapa mental (reproduzido abaixo), com o intuito de ajudá-los nesse momento. Sabemos que não é fácil acompanhar friamente a queda no seu patrimônio. Essa oscilação naturalmente causa desconforto e um certo medo. 

O mapa mental vem, então, como uma ferramenta para ajudar a organizar seus pensamento e te ajudar a tomar a melhor decisão. Mesmo sabendo que a nossa recomendação inicial é “não faça nada agora”, a sua situação pessoal pode ter particularidades que mudam essa recomendação. Veja abaixo ou clique aqui para baixar em PDF.

Mapa Mental: o que fazer durante a crise

 

A história mostra que vender durante a crise não é um bom negócio, mas pode ser necessário se você precisar do dinheiro para um pagamento ou emergência. É por isso que é tão importante se organizar e formar, fora dos seus investimentos de longo prazo, a tal da reserva de emergência ou reserva de segurança.

A crise do Coronavírus é grave, mas ela vai passar. O mercado financeiro passou vários dias em um estado irracional e até mesmo disfuncional. A velocidade e a intensidade da queda foram enormes, levando os Bancos Centrais de diversos países a injetar grandes quantidades de dinheiro nas economia. Além disso, os governos estão acionando uma série de programas de auxílio e transferência de renda para ajudar a proteger a parcela mais vulnerável da população.

Essas medidas devem ajudar a acelerar a recuperação, quando a situação de saúde global se estabilizar.

O que é mais comum: ações subirem ou caírem?

Enquanto preparávamos esse artigo, o Pedro se lembrou de um estudo interessante proposto em um livro de Nassim Taleb, que vale para reflexão nesse momento. Pergunte-se: com qual frequência acompanho a variação da bolsa de valores e como isso afeta a minha percepção sobre o risco?

No livro “Iludidos pelo Acaso” o estudo de mais de 50 anos do S&P demonstra: se um investidor consultar diariamente a bolsa de valores, 54% do tempo verá que ela está em alta e 46% em baixa. A sensação de estar perdendo dinheiro é frequente e causará desconforto.

Quando a consulta é semanal, 59% das vezes a bolsa estava rendendo positivo. Contudo, quando é analisada trimestralmente, 67% das vezes é positivo. 

Por fim, se um investidor olhasse seus investimentos em bolsa apenas anualmente, 93% das vezes teria a notícia que seu retorno foi positivo. 

O processo de construção de patrimônio não é uma tarefa fácil, muito menos linear. Evitar os imprevistos é impossível, e esse exercício pode ajudar lembrar que o seu objetivo é de longo prazo, por isso você pode manter a tranquilidade durante essa fase de incertezas.

 

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Rentabilidade da Vérios no Primeiro Trimestre de 2020
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13 de abril de 2020
Ultima atualização: 14 de abril de 2020

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Autores

Pedro é gestor de recursos credenciado pela CVM e responsável pela engenharia financeira das carteiras inteligentes na Vérios. Trabalha há anos no mercado financeiro, tendo atuado por alguns anos em uma das maiores gestoras de recursos do Brasil. É também editor no Terraço Econômico, maior portal independe de economia do país, formado em Economia pela Unicamp e com passagem na Universidade do Porto, em Portugal.

CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 12 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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